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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Exercícios (Figuras de Linguagem) 

Obs.: Faça no caderno

1- Assinale a figura de linguagem presente em cada frase a seguir:

a) O jardim olhava as crianças sem dizer nada.
(  ) Metáfora      (  ) Comparação     (  ) Personificação    (  ) Metonímia

b)Meu pensamento é um rio subterrâneo.
(  ) Metonímia      (  ) Comparação     (  ) Personificação    (  ) Metáfora

c) Não tinha teto em que se abrigasse.
(  ) Comparação      (  ) Metonímia     (  ) Eufemismo    (  ) Metáfora

d) Ele enriqueceu por meios ilícitos.
(  ) Eufemismo      (  ) Metonímia     (  ) Metáfora    (  ) Comparação

e) Estou morrendo de sede.
(  ) Hipérbole   (  ) Comparação     (  ) Metáfora     (   ) Pleonasmo

f) O Amor queima como o fogo.
(  ) Metonímia      (  ) Comparação     (  ) Personificação    (  ) Pleonasmo

g) Lemos Machado de Assis por interesse.
(  ) Eufemismo      (  ) Metonímia     (  ) Metáfora    (  ) Comparação

h) O Sol amanheceu triste e escondido.
(  ) Comparação      (  ) Eufemismo        (  ) Hipérbole     (  ) Personificação

i) Você faltou com a verdade.
(  ) Eufemismo    (  ) Comparação     (  ) Metáfora     (   ) Pleonasmo

2) Indique a relação de sentido presente em cada metáfora a seguir. 

a) A vergonha queimava-lhe o rosto.

b) As suas palavras cortaram o silêncio.

c) O relógio pingava as horas, uma a uma, vagarosa mente.

d) Ela se levantou e fuzilou-me com o olhar.

3) Leia estes versos da música Timoeiro:


A rede do meu destino
Parece a de um pescador
Quando retorna vazia
Vem carregada de dor

Paulinho da Viola

a)  Que palavra o eu-lírico emprega para fazer referência ao conjunto de fatos interligados que
formam a vida de uma pessoa? Que figura de linguagem essa palavra constitui, nesse caso?

b) Nesses versos, ocorre uma comparação? Justifique.

4) Os versos a seguir fazem parte da música Lua de São Jorge:    


Lua de São Jorge
lua soberana
nobre porcelana
sobre a seda azul
lua de São Jorge
[...]
Serás minha guia
no Brasil de norte a sul

Caetano Veloso

a) Nos versos 3 e 4, o eu lírico cria, por meio das palavras, uma bela imagem do objeto descrito.
 Explique o que ele quer dizer com esses dois versos, ou seja, o que essas imagens
representam?

b) De que figura de linguagem o eu-lírico se valeu para criar essa imagem?

5- Dê 5 exemplos de catacrese.

Figuras de Linguagem
Figuras de linguagem são recursos de expressão, utilizados por um escritor, com o objetivo de ampliar o significado de um texto literário ou também para suprir a falta de termos adequados em uma frase. É um recurso que dá uma grande expressividade, enfase ao texto literário.
 As mais comuns são: metáfora, comparação, metonímia, antítese, personificação (ou prosopopeia), hipérbole, eufemismo, ironia, pleonasmo, onomatopeia.
Metáfora
A metáfora é um tipo de comparação, mas sem os termos comparativos (tal como,como, são como, tanto quanto, etc). Na metáfora, a comparação entre dois elementos está implícita, trazendo uma relação de semelhança entre eles. Exemplo:
Tempo é dinheiro.
Percebemos neste exemplo a relação implícita, onde o tempo é tão valoroso quanto o dinheiro, por isso ele é colocado como semelhante à moeda.
Comparação
A comparação consiste na aproximação entre dois objetos por meio de uma característica semelhante entre eles, dando a um as características do outro. Difere da metáfora porque possui, obrigatoriamente, termos comparativos. Em suma, é uma comparação explícita. Exemplo:    Tempo é como dinheiro.
Neste exemplo vemos o principal definidor de uma comparação: a palavra como traz explicitamente a ideia de que o tempo é valoroso como o dinheiro.
Metonímia
É a substituição de uma palavra por outra sendo que, entre ambas, há uma proximidade de sentidos, uma relação de implicação. Exemplos:
·         Não leu Machado de Assis.
·         Não leu a obra de Machado de Assis.
Vemos no exemplo que a obra de Machado de Assis foi substituída só pelo nome do autor. A metonímia consiste nessa substituição de palavras, dando o mesmo sentido a uma frase. A seguir, outro exemplo que reforça essa substituição:
·         A cozinha italiana é maravilhosa!
·         A comida italiana é ótima.
Antítese
A antítese consiste no uso de palavras, expressões ou ideias que se opõem. Exemplo:
Soneto da Separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das
 bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
Vinícius de Moraes
Neste soneto vemos claramente a antítese por trás da temática da separação amorosa: o que antes era riso trouxe lágrimas com a separação; as bocas unidas pelo beijo no amor se separam como a espuma que se espalha e se dissolve. A oposição de sentimentos e atos forma claramente a antítese.
Personificação (ou prosopopeia)
A personificação, também chamada prosopopeia, consiste na atribuição de características humanas, como sentimentos, linguagem humana e ações do homem, a coisas não humanas. Exemplo:
Congresso Internacional do Medo
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro.
Carlos Drummond de Andrade
Neste exemplo, o medo, uma sensação, é transformado em pai e companheiro, algo que só é atribuído a um ser humano.
Hipérbole
Esta figura de linguagem consiste no emprego de palavras que expressam uma ideia de exagero de forma intencional. Exemplo:
Ela chorou rios de lágrimas.
Chorar rios remete a um choro contínuo, exagerado e o termo rios vem para enfatizar a ideia de que foi um choro intenso.
Eufemismo
O eufemismo ocorre quando utilizamos palavras ou expressões que atenuam e substituem outras que produzem um efeito desagradável e chocante. Exemplos:
·         Faltei com a verdade ao dizer que fui à igreja.
·         Menti ao dizer que fui à igreja.
A expressão e o impacto negativo que a palavra menti traz é ""suavizado" ao dizer que "faltei com a verdade".
Ironia
É a expressão de ideias com significado oposto ao que se realmente pensa ou acredita. Exemplo:
Moça linda, bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor!
Mário de Andrade
O trecho é o exemplo claro de ironia: a moça é descrita como, bonita e bem tratada, tradicional, conservadora (é de família) e burra. O destaque em "um amor", apoiando-se na descrição da moça, mostra que ela, ao contrário de ser esse "amor de pessoa", é, na verdade, alguém sem atrativos, sem graça.
Pleonasmo
Repetição de uma ideia por meio de outras palavras. É utilizado como forma de ênfase e, além de ser figura de linguagem, é classificada como vício. A diferença entre a figura de linguagem e o vício de linguagem é simples: para ser figura de linguagem, o pleonasmo vem de forma intencional, para dar mais expressividade no texto, enquanto no vício vem como uma repetição não intencional e desnecessária. Exemplo:
Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Manuel Bandeira
A repetição proposital de Manuel Bandeira ao dizer que "chovia uma chuva" intensifica a ideia de que estava chovendo.
Onomatopeia

Temos onomatopeia quando há o uso de palavras que reproduzem os sons de seres vivos e objetos. É mais comum em história em quadrinhos.
Fontes:
  http://rachacuca.com.br/educacao/portugues/figuras-de-linguagem                                               http://10emtudo,com.br/portugues/figuras-de-linguagem                                    http://brasilescola,com/portugues/figuras-linguagem.htm

              

domingo, 7 de julho de 2013

Texto: O socorro


                Ele foi cavando, cavando, cavando, pois sua profissão – coveiro – era cavar. Mas, de repente, na distração do ofício que amava, percebeu que cavara demais. Tentou sair da cova e não conseguiu. Levantou o olhar para cima e viu que, sozinho, não conseguiria sair. Gritou. Ninguém atendeu. Gritou mais forte. Ninguém veio. Enrouqueceu de gritar, cansou de esbravejar, desistiu com a noite. Sentou-se no fundo da cova, desesperado. A noite chegou, fez-se silêncio das horas tardias. Bateu o frio da madrugada e, na noite escura, não se ouvia um som humano, embora o cemitério estivesse cheio dos pipilos e coaxares naturais dos matos. Só pouco depois da meia-noite é que lá vieram uns passos. Deitado no fundo da cova, o coveiro gritou. Os passos se aproximaram. Uma cabeça ébria apareceu lá em cima, perguntou o que havia: “O que é que há?”

                O coveiro então gritou, desesperado: “Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio terrível.” “Mas, coitado!” – condoeu-se o bêbado – “Tem toda razão de estar com frio. Alguém tirou a terra de cima de você, meu pobre mortinho!” E, pegando a pá, encheu-a de terra e pôs-se a cobri-lo cuidadosamente.

                Moral: Nos momentos graves é preciso verificar muito bem para quem se apela.

 
Millôr Fernandes. Fábulas Fabulosas, Editora Nódica.

 
                                         Interpretação do texto
1)  O texto que acabamos de ler tem uma moral, qual é o tipo de texto que termina com uma moral?   
2)  Explique, com suas palavras, o que você compreendeu da moral da história.
3)  Quantos personagens aparecem no texto?
4)  Onde está o humor do texto?
5)  O texto começa com o pronome "ele". A que pessoa pertence este pronome e que tipo de pronome é? Como você descobriu isso?
6)  Qual era a profissão dele? Confirme com um trecho do texto.
7)  Retire do texto duas frases que demonstram o desespero do coveiro.
8)  O bêbado demonstrou algum interesse em resolver o problema do coveiro ou ficou indiferente? Explique.
9)      Dê sua opinião quanto à história.
10)  Que outro título você daria à história?
11)      Por que o autor repete a palavra “cavando, cavando, cavando”?
12)    Explique as expressões uns passos e uma cabeça ébria.

 
BIOGRAFIA  DE  MILLÔR  FERNANDES

 
Nascido no bairro do Méier, Millôr sempre fez piada em relação ao seu registro de nascimento. Costumava brincar que percebeu somente aos 17 anos que o seu nome havia sido escrito errado na certidão: onde deveria estar Milton, leu “Millôr” (o corte da letra “t” confundia-se com um acento circunflexo, e o “n” com um “r”). Seja como for, gostou do novo nome e o adotaria a partir de então. “Milton nunca foi uma boa escolha”, comentaria anos mais tarde, durante uma entrevista. A data de nascimento também não estaria correta: em vez de 27 de maio de 1924, ele teria nascido em 16 de agosto do ano anterior.
 
Em 1948, viajou para os Estados Unidos e conheceu Walt Disney. “Nessa época eu ainda acreditava que Disney sabia desenhar. Só mais tarde, lendo sua biografia, aprendi que até aquela assinatura bacana com que ele autentica os desenhos é criação da equipe”, provoca, na autobiografia que escreveu em seu site. No ano seguinte, Millôr assinou seu primeiro roteiro cinematográfico, “Modelo 19", e já foi logo agraciado com o Prêmio Governador do Estado de São Paulo, criado na década seguinte.

O início dos anos 50 seria importante na vida do autor, tanto pessoal quanto profissionalmente. Na companhia do também escritor Fernando Sabino, fez uma viagem de carro pelo Brasil, com duração de 45 dias. Em 1952, seria a vez da Europa, por onde permaneceria quatro meses. Um ano depois, veria a estreia de sua primeira peça de teatro, "Uma mulher em três atos", no Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo.
 
E foi no teatro, como dramaturgo, que Millôr mais colecionou prêmios. Como em ”Um elefante no caos”, em 1960. Anos depois, diria em seu site: “Foi transformada num excelente espetáculo pela genial direção de João Bittencourt. Uma das poucas vezes que um diretor melhorou um trabalho meu”.

Também no teatro foi um tradutor prolífico e importante
. Clássicos como “Rei Lear”, de William Shakespeare, a moderna “As lágrimas amargas de Petra von Kant”, de Fassbinder, ou o musical Chorus Line, de James Kirkwood e Nicholas Dante, chegaram aos palcos brasileiros através de suas mãos. "Ao traduzir é preciso ter todo o rigor e nenhum respeito pelo original”, diria em uma entrevista.
 
Roteirista
Como roteirista, escreveu mais de uma dezena de textos, dentre eles o longa “Terra estrangeira”, e “Memórias de um sargento de milícias”, adaptação da obra de José Manuel de Macedo produzida pela Rede Globo de Televisão. Também roteirizou espetáculos musicais, como o musical “Liberdade liberdade”, escrito em parceria com Flávio Rangel, e “Do fundo do azul do mundo”, ao lado de Elizeth Cardoso e do Zimbo Trio.
 
Recebeu uma homenagem durante o carnaval carioca de 1983, quando foi samba-enredo da Escola de Samba Acadêmicos do Sossego, de Niterói (RJ). Millôr, inclusive, compareceu ao desfile.

Dentre os veículos de imprensa, colaborou ainda com artigos e crônicas nos jornais “O Correio Brasiliense”, “Jornal do Brasil”, “O Estado de São Paulo”, “O Diário Popular”, “Correio da Manhã”, “O Dia”, “Folha da Manhã” e “Diário da Noite”. Para internet, criou o site “Millôr Online”, sobre o qual diria posteriormente: “Se eu soubesse o que atrai tanta gente, nunca mais faria de novo”.

E, como bom roteirista, ainda escreveria sobre a própria vida: "Meu destino não passa pelo poder, pela religião, por qualquer dessas entidades idiotas. Meu script é original, fui eu quem fez. Por isso não morro no fim".
 
Seu perfil no Twitter já contava com mais de 285 mil seguidores.

O escritor carioca Millôr Fernandes morreu, às 21h, do dia 27 de março de 2012, numa terça-feira, em casa, no bairro de Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo Ivan Fernandes, filho do escritor, ele teve falência múltipla dos órgãos e parada cardíaca. Millôr tinha dois filhos, Ivan e Paula, e um neto, Gabriel. Ele foi casado com Wanda Rubino Fernandes. De acordo com sua certidão, Millôr nasceu no dia 27 de maio de 1924, embora ele dissesse que a data correta era 16 de agosto do ano anterior.

O velório foi realizado na quinta-feira (29), das 10h às 15h, no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária do Rio. Em seguida, o corpo foi cremado numa cerimônia só para a família.

Em 2011, o escritor chegou a ser internado duas vezes na Casa de Saúde São José, no Humaitá, Zona Sul. Na época, a assessoria do hospital não detalhou o motivo da internação a pedido da família.

Fonte: Extraído do blog da Profª    
 
 
 
 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Esta é a minha vida (texto 1) para o 7º ano

Meu nome é Gleyson. Eu tenho 13 anos e estou na 5 série. Faço muitas coisas que qualquer um  não pode fazer : montar a cavalo, jogar bola, soltar pipa, jogar bolinha de gude. 
Nasci no Nordeste , no Piauí, por isso tenho este apelido - Piauí - entre meus colegas. 
Eu não tinha condições de morar lá,  por causa da seca . Então ,o meu pai pensou em vir para São Paulo e aqui ele conseguiu um emprego.
Agora, nós não estamos passando mais aquele mesmo sufoco que passávamos lá.  
Eu me divirto como qualquer outra criança. Brinco e faço coisas  como as outras. Leio gibis, a Bíblia e as lendas do folclore.   
Esse sou eu...

                                                 Atividade do texto

1- Imagine que Gleyson esteja respondendo a um questionário sobre si. Quais são as perguntas feitas. Atentem a cada parágrafo do texto, pode ter mais de uma resposta lá.

2- Enumere as atividades feitas por Gleyson e responda: quais delas você fez nas férias de julho?

3- Quais os tipos de leitura faz? Quais você faz (não precisa  ser as mesmas)

4- O que é folclore? Exemplifique.

5- Curiosidade: Você sabia que o garoto Gleyson joga futebol numa escolinha  reconhecida pela FIFA. Pesquise sobre ele e saberá mais.

                                                Atividade Lúdica do texto

1- Retire 8 verbos do texto e faça uma cruzadinha em seu caderno, em seguida analise-os quanto ao tempo e modo verbal.
2- Retire 5 substantivos próprios e faça um caça palavras.
3- Retire 5 palavras polissílabas e embarelhe-as.
4- Escreva o início de um conto ou lenda para que seu colega de classe conclua o texto. Obs.: Coloque o título.

 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

quinta-feira, 27 de junho de 2013

                   Texto : Uma das Marias

Um dia, Maria chegou em casa da escola, muito triste.
— O que foi? — perguntou a mãe de Maria.
Mas Maria nem quis conversa. Foi direto para o seu quarto, pegou o seu Snoopy e se atirou na cama, onde ficou deitada, emburrada.
A mãe de Maria foi ver se Maria estava com febre. Não estava. Perguntou se estava sentindo alguma coisa. Não estava. Perguntou se estava com fome. Não estava. Perguntou o que era, então.
— Nada — disse Maria.
A mãe resolveu não insistir. Deixou Maria deitada na cama, abraçada com o seu Snoopy, emburrada. Quando o pai de Maria chegou em casa do trabalho a mãe de Maria avisou:
— Melhor nem falar com ela...
Maria estava com cara de poucos amigos. Pior. Estava com cara de amigo nenhum.
Na mesa do jantar, Maria de repente falou:
— Eu não valo nada.
O pai de Maria disse:
— Em primeiro lugar, não se diz "eu não valo nada". É "eu não valho nada". Em segundo lugar, não é verdade. Você valhe muito. Quer dizer, vale muito.
— Não valho.
— Mas o que é isso? — disse a mãe de Maria.
— Você é a nossa querida. Todos gostam de você. A mamãe, o papai, a vovó, os tios, as tias. Para nós, você é uma preciosidade.
Mas Maria não se convenceu. Disse que era igual a mil outras pessoas. A milhões de outras pessoas.
— Só na minha aula tem sete Marias!
— Querida... — começou a dizer a mãe. Mas o pai interrompeu.
— Maria — disse o pai
— você sabe por que um diamante vale tanto dinheiro?
— Porque é raro. Um pedaço de vidro também é bonito. Mas o vidro se encontra em toda parte. Um diamante é difícil de encontrar. Quanto mais rara é uma coisa, mais ela vale. Você sabe por que o ouro vale tanto?
— Por quê?
— Porque tem pouquíssimo ouro no mundo. Se o ouro fosse como areia, a gente ia caminhar no ouro, ia rolar no ouro, depois ia chegar em casa e lavar o ouro do corpo para não ficar suja. Agora, imagina se em todo o mundo só existisse uma pepita de ouro.
— Ia ser a coisa mais valiosa do mundo.
— Pois é. E em todo o mundo só existe uma Maria.
— Só na minha aula são sete.
— Mas são outras Marias.
— São iguais a mim. Dois olhos, um nariz...
—Mas esta pintinha aqui nenhuma delas tem.
— É...
— Você já se deu conta que em todo mundo só existe uma você?
— Mas pai...
— Só uma. Você é uma raridade. Podem existir outras parecidas. Mas você, você mesmo, só existe uma. Se algum dia aparecer outra você na sua frente, você pode dizer: é falsa.
— Então eu sou a coisa mais valiosa do mundo.
— Olha, você deve estar valendo aí uns três trilhões...
Naquela noite a mãe de Maria passou perto do quarto dela e ouviu Maria falando com o Snoopy:
— Sabe um diamante?
                                               Luís Fernando Veríssimo, Folha de S. Paulo, Folhinha
Conheça um pouco do autor
Luis Fernando Veríssimo nasceu em 26 de setembro de 1936 em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. É o escritor que mais vende livros no Brasil.
O trabalho do autor também é conhecido na TV, que adaptou para minissérie o livro Comédias da Vida Privada. O programa recebeu o prêmio da crítica como o melhor da TV brasileira
Filho do escritor Érico Veríssimo e Mafalda Veríssimo  De 1943 a 45, Érico morou com a família nos Estados Unidos, onde lecionou na Universidade de Berkeley, na Califórnia.
Ao retornar ao Brasil, em 1956, começou a trabalhar na editora Globo de Porto Alegre, em 1962 transferiu-se para o Rio de Janeiro onde exerceu as atividades de tradutor e redator de publicações comerciais.
De volta a Porto Alegre em 1967, Luis Fernando começou a trabalhar como copydesk do jornal Zero Hora e como redator de publicidade. 
Em pouco tempo já mantinha uma coluna diária, que o consagrou por seu estilo humorístico e uma série de cartuns e histórias em quadrinhos. O primeiro livro, "O popular", de crônicas e cartuns, foi publicado em 1973. 
Atualmente, o autor escreve para os jornais Zero Hora, O Estado de São Paulo e O Globo. Criou personagens As Cobras, cujas tiras de quadrinhos são publicadas em diversos jornais.
Em 1995, o livro O Analista de Bagé, lançado em 81, chegou à centésima edição. Algumas de suas crônicas foram publicadas nos Estados Unidos e na França em coletâneas de autores brasileiros

                        Interpretação do texto “ Uma das Marias”

1-Por que Maria chegou da escola tão triste?
(a)- Foi mal na escola.                                         (b)- A professora gritou com ela.
(c) – Uma amiga a desprezou.
(d) – Sentia-se sem valor.                                    (e)- Estava doente.

 2- De que forma o pai de Maria a ajudou a sentir-se melhor:
(a)- Mostrou-lhe que ela era única.
(b)- Comprou-lhe uma roupa nova.
(c) – Foi ao shopping com ela.
(d) – Deu-lhe um presente muito caro.
(e)- Saiu com ela para tomar sorvete

3-O texto é uma narrativa e contem vários diálogos. Que sinal de pontuação foi usado para introduzi-los?
(a)- Travessão     (b)- Hífen    (c) – Virgula       (d) – Aspas    (e)- Reticências

 4- Substitua a expressão em negrito pelo verbo que mais se aproxime do seu significado na frase:
 “Você já se deu conta que em todo mundo só existe uma você ?”
(a)- Encontrou      (b)- Percebeu      (c) – Achou      (d) – Buscou       (e)- Olhou

5-Que substantivos foram usados pelo pai, na conversa com Maria para que a menina compreendesse o seu valor :
(a)- Bonito, precioso.              (b)- Raro, ouro.
(c) – Diamante, único.            (d) – Ouro, diamante.       (e)- Valioso, único.

 .6- Como ficaria a frase “A gente ia caminhar no ouro”, se a expressão a gente fosse substituída pelo pronome nós
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 7-De acordo com o parágrafo 14, que palavras (substantivos) foram substituídos pelo pronome nós na seguinte frase:
(a)-  Milhões de pessoas                              (b)- Mil outras pessoas
(c) – O papai, a mamãe, o vovô, os tios      (d) – A mamãe, o papai, a vovó, os tios, as tias 

2- Assinale a alternativa que contenha o adjetivo com o significado oposto ao destacado na frase a baixo:

“...ia chegar em casa e lavar o ouro do corpo para não ficar suja.”
(a)- Organizada                (b)- Asseada              (c) – arrumada
(d) – Atraente                   (e)- suave

 9- Que argumentos usados pelo pai de Maria contribuíram para que mudasse de ideia, de acordo cm o texto ?
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2ª Parte:
Proposta de redação
Coloque-se no lugar de Maria e escreva um texto, em forma de diário, contando como foi o seu dia.